Figueiredo galopou sem pressa do Hotel Aracoara para o Palácio do Planalto
Publicado
emJosé Escarlate
Figueiredo foi promovido a general-de-Exército no dia 31 de março. Uma semana depois, seu nome era homologado como candidato oficial do partido, pela Convenção Nacional da Arena. Dia 15 de junho ele deixava a chefia do SNI, transferindo o cargo para o general Otávio Medeiros.
Sempre acompanhado do ex-presidente da Embratur, Said Farhat, que cuidaria de sua imagem, Figueiredo mudou-se com armas e bagagens para o núcleo central de sua campanha, no 11º. andar do Hotel Aracoara, no Setor Hoteleiro Norte, de Brasília. As instalações foram orientadas por Farhat, o futuro homem de imprensa e de relações públicas do virtual presidente. Parecia ser o homem forte do novo governo.
Metade dos jornalistas que faziam a cobertura diária do Palácio do Planalto foi para o Aracoara, aos quais se juntaram novos repórteres. Figueiredo estava de bom humor. Mais risonho ainda por ter feito os 13 pontos na loteria esportiva, que jogava habitualmente. Mas o prêmio foi apenas um “pixuleco”, nada de encher os olhos.
A partir daí, reuniões seguidas com membros de sua equipe, entre eles o general Danilo Venturini e o coronel Armando Malan de Paiva Chaves, que formavam no staff de Figueiredo. Venturini, ao final do governo Figueiredo, permaneceu em Brasília, onde comprou uma chácara, dedicando-se à agricultura no cinturão verde da cidade. Em 31 de dezembro de 1978, Geisel tomou mais uma medida na direção da redemocratização: extinguiu o AI-5 (Ato Institucional nº 5). João Batista de Oliveira Figueiredo foi então indicado para sucedê-lo.