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Fogo silencioso

Almas que se encontram nas sombras vivem de paixões que o mundo não entende

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Vozes silenciadas, corações em chamas, sussurros esquecidos. Não existe eco, nem sombras, nem gritos ao vento.

Mas, ainda assim, a alma arde em chamas. As feridas foram descobertas e doem profundamente; os olhos não conseguem ler a carta que foi selada pela vida e despachada pelo tempo.

O fogo invisível queima a pele. As chamas ardem sem anúncios; histórias ficam à mercê da pronúncia.

Palavras secretas em bocas erradas; no peito, o coração está fora do ritmo.

Nas sombras da noite, homens sem nomes e deuses entram em atrito.

Os amores proibidos estão sendo revelados; lábios em silêncio murmuram lamentos, enquanto a alma, aos prantos, implora perdão.

Neste instante mágico, um toque invisível, um beijo perdido… Ambos se olham, mas não se tocam. Um fogo silencioso os queima por dentro. Uma linguagem de sombras e olhares os congela.

Não há carícias; seus corpos arrepiados, agora quase explodindo de desejo, os fazem repensar.

Por que tamanho silêncio? Ouvem gritos, mas não os decifram. Onde estão?

Recordam: são apenas almas que se encontram nas sombras.

Poderá ser verdade? Elas realmente se falam?

No íntimo, sabem que sim. Vivem a paixão que o mundo não entende.

Perdem-se nos olhos do mundo; são essências de um amor de outras vidas.

Porque há amores que ardem nas sombras; no silêncio, ficam mais fortes, como brasas escondidas, sempre na esperança de que o vento as acorde.

Assim vivem as almas na eternidade. Calam seu amor, encontram-se, mas não se tocam; olham-se, entendem-se, beijam-se sem tocar os lábios.

Vivem amando e queimando esse amor neste fogo silencioso.

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