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Morreu na praia

Bolsonaro gastou todas as cartas da manga e só fez dividir a direita

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Autor/Imagem:
Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile/Via MST - Foto Joédson Alves/ABr

Jair Bolsonaro viu suas melhores chances de sobrevivência política morrerem nas areias de Copacabana. O ato que reuniu algo entre 18 e 30 mil pessoas, demonstrou que o ex-capitão ainda tem capacidade de mobilização, mas nada que seja suficiente nem para impulsionar a bandeira da anistia, seu veículo de propaganda para atacar o STF, nem para fortalecê-lo antes do julgamento e, muito menos, para assegurar um futuro político.

O ato serviu como uma espécie de depuração: ficam com Bolsonaro os eleitores católicos mais conservadores, os pastores evangélicos ao estilo Silas Malafaia e a legítima extrema-direita, ainda que com três governadores. Por outro lado, libera o centrão e a direita mais pragmática do peso de um Bolsonaro a caminho da prisão. E, finalmente, Tarcísio de Freitas parece que pode colher anos de fidelidade ao bolsonarismo, podendo alçar um voo solo sem ser tolhido por seu criador.

O fiasco do ato, somado ao desempenho mediano como cabo eleitoral nas eleições municipais, também tira de Bolsonaro a prerrogativa de definir a candidatura da direita nas eleições, mais especificamente de escolher um de seus filhos como candidato. Neste caso, Tarcísio vira a melhor opção para todos, preservando alguma influência do bolsonarismo, mas também tira a família miliciana do centro de gravidade, além de ter as bênçãos do mercado financeiro. Enquanto o fracasso do ato fortalece a direita, lhe abrindo caminhos, para Bolsonaro, a situação exige mudança de tática.

O afastamento temporário de Eduardo Bolsonaro da Câmara é sinal de que agora a família do ex-capitão vai apostar no apoio de Trump e das big techs para compensar a perda de força nas ruas e no Congresso. Ou quem sabe preparar a fuga do patriarca. A campanha pela anistia deve perder força, ainda que continue sendo o melhor atalho para Bolsonaro tentar alguma sobrevida eleitoral, assim como o peso do ex-capitão em 2026 nem de longe será como o de Lula em 2018. A prioridade máxima é escapar ou minimizar os danos da prisão.

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O Boletim O Ponto é produzido por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile para o MST

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