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Paixão dos trouxas

De repente, do nada, a vida nos prega uma peça

Publicado

Autor/Imagem:
Hannah Carpeso - Foto Francisco Filipino

Em uma noite de comemoração. Fomos ao nosso restaurante preferido.

Sentados para jantar, eis que adentra um casal.

Coincidentemente, uma amiga de infância do meu marido.

Foi impossível passarmos despercebidos, e enquanto caminhava acompanhado pelo maître, parou para nos cumprimentar.

Meu marido, então, a convidou para que sentasse conosco.

Feliz em nos rever, aceitou o convite.

O que não imaginava era que eu já conhecia o marido dela.

O casal sentou-se conosco. Ela diante de Pedro e eu, diante de Rogério.

Isa, sempre alegre e efusiva apresentou seu novo marido.

Percebi o espanto dele, ao ser apresentado a mim e ao Pedro.

Também engoli em seco, e procurei disfarçar por todo o jantar.

Isa e Pedro passaram a noite relembrando as traquinagens e como a vida levou a afastar-se de todos e como planejara voltar à cidade e reconstruir sua vida, e quando e como conheceu Rogério.

Percebi que exatamente o momento em que Isa entrou na vida de Rogério, eu o estava deixando.

Nosso relacionamento foi de uma paixão desenfreada, e eu sabia que não daria certo manter-me naquele mar revolto.

Foi muito dolorido e necessário, o abandono.

Rogério praticamente não falou.

Diante de mim, seus olhos não fugiam do meu rosto. Tentei várias vezes desviar o olhar, e fingir que acompanhava a conversa dos amigos, porém, em um décimo de segundo, nossos olhos se encontraram e a sensação foi fulminante.

Senti-me penetrar no seu corpo assim como ele penetrou no meu – profundamente.

A paixão ardeu.

Acredito que ele também retribuiu.

Ficou difícil respirar, e sorver um gole do vinho em uma tentativa de apagar o fogo que me queimava.

A noite foi um martírio. Somente os olhares viviam.

Enquanto Isa e Pedro tagarelavam e riam sem perceberem o pacto silencioso que se estabelecia entre nós.

Mas o pior de tudo foi a despedida.

Um gesto final, um beijo trocado na face, buscava o canto da boca e um abraço disfarçado, me puxava para si, fazendo com que eu sentisse a sua mão envolta da minha cintura, do jeitinho que costumava me pegar e jogar na cama.

Em frente ao restaurante, cada casal aguardou o manobreiro trazer os carros.

E assim cada um seguiu o seu destino.

Durante a volta, eu me confrontava com minhas emoções e observava meu marido.

Em casa deitada ao lado de Pedro, agradeci por tê-lo como companheiro.

Afinal, paixão é flor roxa que dá no coração de trouxas.

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