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Gordinho paciente

Flávio Dino, matulão em dobro, traça voo para 2030 mas pode decolar em 34

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto de Arquivo

A direita mais conservadora entende que a “experiência” dos governadores Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior, Tarcísio de Freitas e Romeu Zuma é suficiente para que o Brasil alcance o patamar desejado pela maioria. Está no direito dela de vê-los como expectativa. Não represento e nem aspiro representar a esquerda. Entretanto, independentemente de seu posicionamento ideológico, desafio a qualquer um a questionar a realidade e duvidar da capacidade de Flávio Dino. Recém-empossado como ministro do Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte do Judiciário brasileiro, ele, embora de meia idade, já experimentou de tudo um pouco em sua longa vida pública.

Ex-juiz federal, ex-deputado federal, governador reeleito do Maranhão, ministro de Estado e senador da República. É muito? Talvez seja para aqueles que pensam, sonham e agem pequeno. Não é o caso de Flávio Dino. Um dos poucos governadores a bater de frente com o então presidente Jair Bolsonaro na fase mais cruel da pandemia de Covid, ele ainda não teve oportunidade de mostrar ao povo que, ao contrário do que dizia o Messias de todas as asneiras, seu sobrepeso tem a ver exclusivamente com a inteligência adquirida. Flávio Dino de todas as vertentes e de muita coragem, não tem pressa na vida.

Por isso, passa a impressão de que dispõe de pouco tempo para pensar na Presidência da República. E não é apenas impressão. Para quem já viveu o dia a dia do Judiciário, particularmente dos tribunais superiores, sabe que por lá o bicho, quando não pega, assusta, incomoda e faz tremer os que têm pouca ou nenhuma substância. Não é o caso do maranhense Dino, de quem me aproximei no Supremo Tribunal de Carlos Velloso, Sepúlveda Pertence e Nelson Jobim e de quem fiquei amigo no TSE da época do mestre Jobim. Obviamente que não me refiro a Tom, mas a Nelson Jobim, o ministro que, após Velloso ter “gerado” a máquina, consolidou a urna eletrônica como objeto do desejo de boa parte do mundo.

Ora como a voz da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), ora como juiz auxiliar, Flávio Dino esteve presente em boa parte dos citados períodos. O Brasil ainda era de todos. Embora adversários, esquerda, direita e centro conviviam democrática e civilizadamente. Velhos tempos, belos dias, tantas alegrias, muitas recordações. Não o vejo faz tempo. Pouco importa. Sei dele pelo que vejo, ouço e, principalmente, pelas “aulas” que ministra durante os votos em questiúnculas ou em questões pesadas. Após exigir transparência e rastreabilidade do dinheiro decorrente das emendas parlamentares, a mais recente foi o julgamento da denúncia da PGR contra Jair Bolsonaro e mais sete pessoas acusadas de participação no golpe para evitar a posse do presidente eleito Luiz Inácio.

Eloquente sem rebuscamentos, meias palavras ou firulas, Flávio Dino não é afeito a filigranas jurídicas. Com ele, é pau ou pedra. Por exemplo, ao votar a favor da denúncia da PGR ele declarou que a suposta trama golpista e os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 são uma “desonra” à memória nacional e às famílias que perderam entes em “momentos de trevas” do Brasil. “Se não morreu ninguém, poderia ter morrido. Com a coragem de sempre, o ministro comparou a tentativa de golpe do grupo bolsonarista à ditadura militar de 1964. “Dizem que, em 1º. de abril de 1964, não morreu ninguém. Golpe de Estado mata, não importa se é no dia ou anos depois”. Não ouvi questionamentos nem mesmo do desnorteado, nervoso e impagável Jair Bolsonaro.

Contrário à farra das armas, Flávio Dino também se posicionou a respeito ao lembrar da presença de militares e de membros das Forças Armadas no quebra-quebra do dia de 8 de janeiro. Alguns entenderam como brincadeira, mas não há qualquer pilhéria na declaração de que “há militares mais apaixonados por armas do que por seus cônjuges”. Sei que é muito cedo para se pensar além de 2026, quando, queiram ou não, a eleição presidencial será Lula contra quem a direita escolher. Logicamente que, fora da disputa, Jair Bolsonaro tentará indicar um dos filhos para a vice. Azar o dele. Quero falar de Flávio Dino em 2030 ou, no máximo, em 2034. Até lá, certamente o Brasil e os brasileiros conhecerão mais de perto o gordinho que tarda, mas não falha. Quem viver, verá.

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*Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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