A batalha está perdida
Lula afrouxa as rédeas, deixa o juro rolar e seja o que Deus quiser

Mais do que o estilo Sidônio de publicidade, o mote O juro tá alto, pega o empréstimo do Lula também é uma admissão silenciosa de que o governo jogou a toalha da batalha para baixar os juros. O próprio ministro Fernando Haddad admite que esta é a melhor aposta do governo, ou a última, para que a concorrência baixe a taxa pelo menos dos empréstimos para pessoa física, mesmo que o preço disso seja desviar a função do FGTS. O fator determinante da derrota, claro, foi a conversão de Gabriel Galípolo num clone de Campos Neto.
Como o próprio mercado financeiro reconhece: quase 50% da Faria Lima considera Galípolo como igual ao antecessor e 20% como ainda melhor. Assim, o novo normal não é uma reversão da taxa Selic, mas sua permanência na casa dos 15%. Obviamente, Lula não vai direcionar sua munição para o seu indicado como fazia com o antecessor. E também pesou a hostilidade do ataque com o dólar no fim do ano para mostrar que a Faria Lima não brinca em serviço e que, sem o Banco Central, o governo fica desprotegido.
A rendição do governo, por outro lado, não significa que o mercado vai sossegar ou que o Planalto vai ter paz. Mesmo vencendo a batalha da Selic, a Faria Lima ainda quer se consagrar no tema do ajuste fiscal, ou seja, nada de gastos sociais que impeçam a farra do pagamento dos juros, e insiste que o governo apresente uma contenção maior do orçamento, em especial direitos, como a Previdência.
Neste contexto, nem sequer o ajuste do Imposto de Renda e muito menos a taxação dos super ricos é aceitável. Nisso, o mercado tem o apoio do Congresso, seu sócio na divisão do orçamento, sequestrando R$50 bilhões em forma de emendas. Se faltam forças para o governo reagir, o mais grave talvez sejam os que endossam os argumentos do mercado, como Simone Tebet, e quando a derrota vem sem nem sequer lutar, como o congelamento dos gastos dos Ministérios no dia seguinte à aprovação do orçamento da União.
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Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile produzem o boletim O Ponto para o MST
