O Lado B da Literatura
Maria Lúcia etc etc e outro etc, saiu de Luziânia e virou enciclopédia em Brasília

Na dúvida de quem irei retratar, peço ajuda à minha companheira do Café Literário, a eficientíssima e encantadora Cecília Baumann, que sempre tem a resposta certa na ponta da língua.
— Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles.
— Ceci, mas isso é um nome ou uma enciclopédia?
— Tá com inveja, Condé?
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles. Com esse nome, é melhor não cavoucar intriga. Verdadeira autarquia da literatura contemporânea, nascida em Luziânia, Goiás, cidade que é quase Distrito Federal.
Soube por fontes fidedignas que a nossa poeta e escritora aprendeu a ler sozinha, quando morou em Brasília. “Não foi exatamente sozinha, mas quase…” Aliás, a Maria Lúcia passou não apenas a infância, mas também a adolescência na capital, onde estudou na Escola Classe 106 Sul.
— Condé, é uma escola na Asa Sul.
Mais uma vez, a Ceci, que também não mora em Brasília, me explica onde é que fica o tal colégio, que imagino deveria erguer um busto em homenagem a tão ilustre personalidade.
— No mínimo uma placa, Condé.
— É verdade, Ceci.
Maria Lúcia, a despeito do talento já conhecido pelos leitores do Café Literário, se faz modesta: “Nunca fui uma escritora, brinco com as pessoas que sou “escrevinhadora”, que é alguém que escreve quando bem entende, até deixando passar várias inspirações, por na hora não ter como escrever.”
Uma outra curiosidade sobre a Maria Lúcia é que muita gente pensa que ela é estrangeira. Seria ela uma Clarice Lispector, que nasceu na Ucrânia? A nossa retratada afirma que, de vez em quando ou de quando em vez, finge ser da Lituânia. E não é que ela consegue enganar direitinho os interlocutores?
“Nunca havia pensado nisso, até que um dia conheci o escritor Eduardo Martínez, quando ele ainda morava no Rio de janeiro. Ele me disse: “Garota, por que você não dá uma de gringa?”
“No início, achei aquela conversa de doido, até que comecei a fazer isso em uma festa de aniversário muito chata. Todos ali cheios de dedo tentando me entender, inclusive falando em libras, e eu gargalhando por dentro.”
Casada e com três filhos (seu maior sonho era ser mãe), a nossa heroína das letras tem fama de ser motorista das mais porretas. “Ah, adoro dirigir! Se for uma Kombi, então, rodo o mundo. No dia em que a Nasa me descobrir, me contrata pra levar o próximo foguete à Lua.”
Outro fato inusitado sobre a Maria Lúcia é que ela, de tão requisitada, já escreveu até texto para a lápide de túmulo. Então, caso você esteja visitando algum cemitério, é provável que irá se esbarrar com algum escrito da nossa retratada de hoje.
Espero que vocês tenham gostado de conhecer um pouco sobre a poeta e escritora Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles, cujo talento não cabe nem em uma enciclopédia.
…………………….
Cassiano Condé, 81, gaúcho, deixou de teclar reportagens nas redações por onde passou. Agora finca os pés nas areias da Praia do Cassino, em Rio Grande, onde extrai pérolas que se transformam em crônicas.
