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Novo cenário político faz de Lula 3 o José sem futuro de Drummond

Como no poema E agora, José?, a luz apagou, o povo sumiu e a noite esfriou para Luiz Inácio Lula da Silva. A festa ainda não acabou, mas parece que tudo mofou. Dois anos e meses após retomar a principal cadeira da Praça dos Três Poderes, o estrelado Lula parece ter perdido o brilho que sempre ofuscou os medíocres e incomodou os ultrapassados. Teria chegado sua vez? Dizem que não. O fato é que seus milhões de eleitores ainda esperam por dias melhores. Os números da pesquisa encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes são mais eloquentes do que qualquer discurso desesperador.

Hoje, o presidente Lula é aprovado por 40,5% dos brasileiros e reprovado por 55,3% dos patrícios. Já o governo é ruim para 44% dos cidadãos consultados. É claro que, a exemplo do humor, na política às vezes o impossível é o mais provável de acontecer. O pós-eleição de Donald Trump é um exemplo vivo dessa teoria. Um mês e dias depois dele se apossar pela segunda vez da cadeira presidencial mais pesada do planeta, Trump tem muito pouco a comemorar. Fora as dezenas de canetadas que deu para tentar cumprir as promessas de campanha, até agora ele pouco produziu de útil para o país e para seu povo.

Craque em bravatas, falta mostrar aos norte-americanos que ele também tem ideias e propostas mais interessantes do que se insurgir contra imigrantes ilegais, contra economias que ele tenta controlar e contra povos que tenta dominar. Azar o dele. O que realmente nos interessa ainda está aqui. Evidentemente que, em breve, os números de Trump serão tão ruins ou piores do que os de Lula, que anda, corre, cai, levanta, corre novamente, mas não sai do lugar. Decorrência direta do endurecimento dos valores da picanha comunista e do crescimento do preço dos ovos patriotas, Lula chegou à metade de seu terceiro mandato presidencial claudicando mais do que gago fugindo do cadafalso.

Como diria qualquer poeta do absurdo, dificilmente alguém com 55% de reprovação dá a volta por cima, se segura em 40,5% de aprovação e consegue dar um salto carpado, grupado e triplo com destino à quarta encarnação. Nada impossível para quem já tomou sopa de pedra. Até 2026, tudo pode acontecer, inclusive Elon Musk se associar a Pablo Marçal para disputar a Presidência da República ou o governo de Minas Gerais, onde o Romeu quase não Zema mais, onde o ouro é preto, o mar é de Espanha e até o juiz é de fora. Com um mínimo de trabalho, o máximo de divulgação e o fim das briguinhas internas pode ser que os números melhorem.

Talvez nunca mais fiquem muito bons, mas provavelmente voltarão a dar fôlego para uma nova disputa. A essa altura do campeonato, botar o pé na estrada não será suficiente. É preciso parar de discutir o sexo dos anjos e convocar os galos e os patos para uma reunião de emergência, de modo a pelo menos tentar estancar a polarização dos ovos das pobres das galinhas e das patas. Hoje, poucos duvidam de que os brancos são patriotas e os encarnados comunistas. Com Lula à beira do precipício e com Bolsonaro achando que ainda canta de galo, o Brasil segue ladeira abaixo.

O resultado desse negro cenário são as seis pessoas que mais sofrem no país: eu, tu, ele, nós, vós e eles. Eu não preciso ativar minha localização para que saibam que não voto em extremistas. Apesar desse posicionamento público, torço para que, logo após o Carnaval, deputados, senadores e ministros realmente patriotas esqueçam ideologia, tirem as máscaras e se imaginem definitivamente fora do circo montado para que nós, os palhaços da trupe, tenhamos dias menos tortuosos. O governo Lula acabou para sempre ou acabou por um período? Independentemente de os perdedores permanecerem armados para a guerra, o povo espera que o presidente reaja e não permita que tudo se acabe do mesmo jeito que o Lula 3 começou: do nada.

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Misael Igreja é analista político de Notibras

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