O dia que Tom se passou por sósia e foi comer pão quentinho
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José Escarlate
Março de 1960 – Quando Tom Jobim e Vinicius de Moraes estiveram em Brasília, a convite de JK, ficaram dez dias no Catetinho.
O objetivo era o de compor a Sinfonia da Alvorada, exaltando a cidade e a figura dos candangos que a ergueram.
O certo é que eles esgotaram, nesse período, a bem sortida adega presidencial. Longe de tudo e nada por perto, uma madrugada, curtindo uma “ressaquinha” como dizia Vinícius, os dois decidiram procurar uma padaria nas imediações.
Era um barracão perto do que seria o Country Clube. Pequena fila se formava, e Tom era o sexto, pronto para comprar o tão desejado pão fresquinho.
Nisso, um cidadão ficou a olhá-lo com insistência, não desgrudando o olhar. Tom baixou a cabeça. Tinha sido reconhecido.
Não se contendo, o homem dele se aproximou e indagou: “O senhor, por acaso, não é o Tom Jobim?” “Claro que não.” – respondeu Tom. “Nem por acaso”.
E o homenzinho, olhando-o de cima abaixo, concluiu: “Engano meu. O senhor é bem mais gordo e bem mais feio que ele”.
E Tom foi embora, abraçado com os pães quentinhos.
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