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Tourada na COP30

País do jeitinho e de contrato de 500 mi, Brasil é o do Boris

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Autor/Imagem:
Marta Nobre - Foto de Arquivo/Marcello Casal Jr - ABr

No país do jeitinho e das grandes cifras, onde a burocracia costuma ser um labirinto para o cidadão comum, eis que surge um passe de mágica administrativo. Vem a ser, segundo anunciado pela CNN Brasil, um contrato de R$ 478,3 milhões, firmado sem licitação. O governo Lula 3 decidiu que a melhor forma de organizar a COP30 em Belém era entregar a missão para uma organização internacional com sede na Espanha. Afinal, quem melhor para organizar um evento no Brasil do que uma entidade estrangeira, lá do outro lado do Atlântico? Como diria Boris Casoy, isto é uma vergonha!

A Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), uma ilustre desconhecida para a maioria dos brasileiros, recebeu a missão sem concorrência. Uma escolha “discricionária”, termo elegante para o que no popular se chama de decisão sem consultar ninguém. O contrato, assinado em dezembro, cobre desde ações administrativas até culturais, passando pelo científico e técnico-operacional, tudo dentro do plano de trabalho acordado. ‘Que beleza!‘, diria Simonal, cantarolando no túmulo.

É verdade que por seu passado de fortes ligações com Jair Bolsonaro, pouca gente colocaria a mão no fogo pela CNN. Mas, curiosamente, como lembra a reportagem da emissora, a ascensão de figuras estratégicas na OEI parece ter coincidido com um aumento substancial nos contratos da entidade com o governo federal. Coincidência? Quem há de saber? O fato é que, com a chegada de Rodrigo Rossi à direção da OEI no Brasil e de Leonardo Barchini ao Ministério da Educação, os cofres públicos se abriram como um rio caudaloso. Só no segundo semestre de 2024, cinco contratos foram firmados, totalizando quase R$ 600 milhões.

Para colocar esse número em perspectiva, nos governos Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, a soma de contratos com a OEI foi de modestos R$ 50 milhões. A disparada dos valores no atual governo chega a ser um feito digno de estudo econômico. Enquanto isso, a população se vira com hospitais sucateados, escolas sem estrutura e estradas esburacadas.

Não que a COP30 não mereça uma boa organização. O problema é quando o discurso da transparência se perde na névoa da conveniência política. Nos bastidores, comenta-se que o arquiteto dessa bonança contratual foi justamente Leonardo Barchini, que dirigiu a OEI antes de ir para o MEC. E assim, de forma impecável, contratos foram negociados, portas se abriram e milhões foram alocados.

E quem são os rostos por trás desse grande feito? Basta olhar as redes sociais da OEI para encontrar fotos com Lula, Janja, ministros e o governador da Bahia. Um verdadeiro álbum de recordações de quem circula pelos corredores do poder. Enquanto isso, o contribuinte brasileiro assiste a tudo com aquela velha sensação de impotência. Afinal, dinheiro para saúde e educação sempre falta, mas para contratos obscuros, há de sobra.

Afinal, Boris, o que é mesmo? ‘Isto é uma vergonha’.

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Marta Nobre é Editora-Executiva de Notibras

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