Mente sã?!
Réquiem das curvas padronizadas para se orgulhar diante do espelho

Num mundo que dita a curva exata do verso,
Corpos são métricas em padrões perversos,
Esculpem em carne a crueldade humana,
Moldes de aço, uma cultura tirana;
A balança é júri, a régua, senhora,
Condenam o biotipo que ousa estar fora,
Riem da curva que não se ajusta ao compasso,
Enjaulam estrelas no cárcere do embaraço;
Queimam rosas vivas, em nome do padrão,
Enquanto sussurram a dor da exaustão,
Anorexia emergindo, nessa fria ilusão,
De padronizar o corpo, a mente e até a canção;
Depressão, filha muda de um culto brutal,
Escreve no silêncio, um grito visceral,
Números na pele, cicatrizes dessa guerra,
O corpo, um deserto, a alma, uma árida terra;
Nenhum molde pode caber no Pantanal imenso,
Onde florescem corpos que rompem o senso,
A vida não se resume em números ou grades,
Mas na força de quem luta, escrevendo verdades.
