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Tá chegando a hora

Sem outra alternativa, Bolsonaro traça planos mirabolantes para o futuro

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Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile/Via MST - Foto Joédson Alves/ABr

O ciclo aberto pelas eleições de 2018 começa a se fechar com Bolsonaro e mais sete pessoas tornando-se réus por tentativa de golpe de Estado. Na época, o Mito emergiu como salvador da pátria num contexto de criminalização da esquerda e crise de hegemonia da direita. Agora, Bolsonaro volta a ser o que sempre foi: um político fisiológico e medíocre. Claro que muita água ainda vai rolar até uma possível condenação. Mas as chances do ex-capitão ser inocentado são pequenas, ainda mais com a deserção do mais forte aliado, Trump, que reconheceu que as eleições brasileiras são um exemplo para o mundo, jogando areia no plano de Eduardo de buscar apoio nos Estados Unidos.

Agora, a única solução para o inelegível é se apresentar como vítima de uma injustiça e aguardar uma improvável reviravolta futura como aquela que levou para o lixo da história a Operação Lava Jato. Todas as chances de Bolsonaro passam pelas eleições de 2026, seja para fortalecer a direita no Senado e jogá-lo contra o STF, mas principalmente para eleger um aliado de olho num possível indulto. E os planos A, B e C têm um só nome: Tarcísio de Freitas, o que inflaciona o mercado eleitoral de São Paulo para a sucessão do atual governador.

A dúvida é se o ex-Mito conseguirá resistir a um julgamento desgastante que deve durar meses, ou mais de um ano, atuando nas frentes jurídica e política, sabendo dosar o papel de vítima e as afrontas ao STF para manter o fã-clube mobilizado, mas sem comprometer sua própria defesa. Afinal, está em jogo também o futuro do bolsonarismo, já que uma prisão exemplar pode convencer até os extremistas mais exaltados a mudarem de ideia.

A consequência imediata é o agravamento da fragmentação e da crise de hegemonia na direita, o que tende a intensificar os movimentos de fusão entre partidos. Vale lembrar que simbolicamente o julgamento dos generais Braga Netto e Augusto Heleno é ainda mais importante do que o de Bolsonaro. Afinal, mesmo que com poucas consequências materiais – as famílias continuarão recebendo gordas pensões – uma possível condenação representaria um ajuste de contas com uma longa história de impunidade dos militares no Brasil.

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Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile produzem o boletim O Ponto para o MST

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