O amigo da vaca
Sonho sonhado só não revela quem limpou a sujeira
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Estava no escritório finalizando um poema, quando ouvi a voz de minha filha, gritando para me avisar que a vaca havia invadido nossa casa e estava comendo um pão. E o pior: já havia nos brindado com um belo bolo de fezes escuras e moles no meio da sala.
Abandonei meu poema e corri imediatamente para lá. Abraçando afetuosamente a vaca de cor clara e olhar suave, fui puxando uma conversa e, enquanto a conduzia para fora, fui argumentando com ela, dizendo-lhe:
– Querida, aqui dentro de casa não é o seu lugar. Nós, humanos, e vocês somos diferentes; vocês têm cascos, nós não. Os cascos protegem vocês das bactérias e doenças, e vocês podem ficar lá fora, enquanto nossos pés são desprotegidos, tornando-nos vulneráveis às doenças. Por isso vivemos dentro de casa.
E fui conduzindo-a para fora naquele entendimento amigável. E ainda lhe pedi desculpas por termos esquecido a porta aberta.
Quem limpou o cocô? O sonho não revelou.
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