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Roteiro desenhado

STF leva direita a buscar novo rumo sem Bolsonaro

Publicado

Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior

O subsolo normalmente é a saída para quem está perdido na planície. É aquela velha máxima dos pensadores modernos para os quais não importa o quão alto o homem suba na escada do sucesso, pois sempre haverá alguém lá em cima disposto a empurrá-lo para baixo. É o mesmo que dizer que a montanha alcançada sem merecimento desmorona tão rápido como a subida açodada. Seriam esses os cenários postos à mesa de jantar do clã Bolsonaro, mais especificamente à disposição do ex-presidente Jair Bolsonaro. Incluindo aliados de primeira hora, muitos brasileiros avaliam como verdadeiras as afirmações sobre o futuro do já considerado antigo “chefe”.

Apesar de ainda ser somente réu no processo da trama golpista, seguidores e parlamentares de partidos simpáticos às causas sem nexo do ex-mito entendem que o roteiro desenhado pela 1ª. Turma do Supremo Tribunal sinaliza para gregos, baianos e alagoanos que o ato final do espetáculo bolsonarista perdeu a resolução e está por um esquete, termo referente a uma cena curta de caráter geralmente cômico. Falsos com uma nota de R$ 3,00, os bolsonaristas sem muita convicção sacaram que a primeira começa a soar como última hora. Daí para a debandada geral é um pulo.

Por enquanto, só afagam no varejo, mas não escondem a movimentação no atacado em busca de novos rumos. Como a maioria só é amadora no planejamento de golpes, eles sabem que o radicalismo gera insatisfação e eventuais prisões, que a sinuca dada por Xandão em Jair é de bico e que a corrida presidencial está próxima da linha de largada. Daí a razão pela qual decidiram não esperar pelo milagre que nem o Deus acima de todos consegue prometer. No jargão político, é o famoso ou dá ou desce, também conhecido por ultimato.

É verdade que Luiz Inácio se encontra nas cordas, mas não morreu. Continua bem vivo e disposto a ultrapassar a última curva em condições de incomodar e até brilhar na reta final. Essa é a preocupação dos partidos que “compõem” a base de Bolsonaro, mas nunca sustentaram nenhuma proposta golpista ou de assassinato de adversários. São legendas conservadoras, mas democratas convictas. É o caso do União Brasil, do Progressista e do Republicanos que, ao contrário do Partido Liberal, sempre reclamaram das pautas extremistas do clã que não dorme sem sonhar com o poder.

Inquestionável é o fato de que a ação penal em curso no Supremo Tribunal freou os ímpetos bolsonaristas, principalmente da turma do centro e da direita menos raivosa. No banco dos réus, Jair Messias não é mais o general da banda, embora ainda se ache o dono da batuta. Pode ser, mas poucos são capazes de negar que, antes afinadíssima, a orquestra faz tempo vem atravessando no sincronismo, no ritmo, na melodia e, sobretudo, na harmonia.

Gatos escaldados, certamente os senhores das citadas siglas partidárias temem que a gripezinha anunciada pelo STF contra Bolsonaro se transforme em uma pandemia e acabe respingando naqueles que preferem ficar longe da artilharia de Alexandre de Moraes. A ordem é seguir os ensinamentos dos mestres da política, não se meter com a tal da anistia aos golpistas, de modo a não correr risco com a possibilidade de perder o “Cala Bolso”.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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