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Despedidas que libertam

Teci em mim uma armadura para proteger o que resta de ternura

Publicado

Autor/Imagem:
Rafaela Fernanda Lopes - Texto e Imagem

Aprendi a dizer adeus sem chorar,
Fechar portas sem olhar para trás,
Cada partida, um verso a recitar,
Um jeito de não sofrer mais e mais;

Fui tecendo, em mim, uma armadura,
Feita de silêncios e negligências,
Protejo o que resta da ternura,
Pois sei que o amor, quando é intenso,
Pode se tornar uma ferida que não se cura;

Já não espero mais, que alguém me entenda,
Nem que as palavras diminuam a dor,
Cada julgamento, cada ofensa,
Só aumenta a desilusão de quem tanto amou;

Família, amor, laços que hoje se desfazem,
Cada um carrega o peso da minha ausência,
E eu, que tantas vezes acolhi e abracei, hoje descobri,
Que me afastar, é o melhor refúgio da essência,
Uma maneira de não deixar que me despedacem;

Mas há dias em que a armadura pesa,
E o coração, cansado, quer falar,
Será que a resignação é uma certeza,
Ou só um modo de não desmoronar?

Ainda assim, sigo, deixando de me importar,
Com muitos que um dia foram o meu caminhar,
Pois sei que, em mim, a força é persistente,
Quando as despedidas se tornam iminentes.

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