Aprendi a dizer adeus sem chorar,
Fechar portas sem olhar para trás,
Cada partida, um verso a recitar,
Um jeito de não sofrer mais e mais;
Fui tecendo, em mim, uma armadura,
Feita de silêncios e negligências,
Protejo o que resta da ternura,
Pois sei que o amor, quando é intenso,
Pode se tornar uma ferida que não se cura;
Já não espero mais, que alguém me entenda,
Nem que as palavras diminuam a dor,
Cada julgamento, cada ofensa,
Só aumenta a desilusão de quem tanto amou;
Família, amor, laços que hoje se desfazem,
Cada um carrega o peso da minha ausência,
E eu, que tantas vezes acolhi e abracei, hoje descobri,
Que me afastar, é o melhor refúgio da essência,
Uma maneira de não deixar que me despedacem;
Mas há dias em que a armadura pesa,
E o coração, cansado, quer falar,
Será que a resignação é uma certeza,
Ou só um modo de não desmoronar?
Ainda assim, sigo, deixando de me importar,
Com muitos que um dia foram o meu caminhar,
Pois sei que, em mim, a força é persistente,
Quando as despedidas se tornam iminentes.