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Pesquisa dirigida

Voto, não institutos, define o futuro da nação

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Jr - Foto de Arquivo

A menos que provem o contrário, a maioria das pesquisas de opinião para 2026 excluem a presença do presidente Luiz Inácio na final do campeonato de forma deliberada e combinada. Curiosamente não cravam um vencedor. O mais interessante é que todas, sobretudo as mais conservadoras, mesmo não incluindo o presidente, não descartam a candidatura de Lula. Ou seja, mordem, assopram, mas preferem não cutucar a onça com vara curta. Pior é a inclusão do inelegível Bolsonaro na disputa presidencial. Eles sabem que essa hipótese é muito mais do que improvável. No entanto, mantém o nome do ex-presidente somente para confundir.

Insistir na dicotomia Lula versus Bolsonaro é passar recibo a respeito da falta de nomes confiáveis na direita. Talvez seja essa a razão pela qual os mesmos (Instituto Paraná, Gazeta do Povo, Revista Oeste, CNN, Veja, Poder 360, Brasil de Fato, Brasil Paralelo, Millenium e Jovem Pan, entre outros) teimam em manter Bolsonaro superando Luiz Inácio no primeiro e segundo turnos. É a tal da pesquisa dirigida. Como até a eleição Jair Messias certamente estará recolhido ou fugido, o resultado me parece tão desonesto como vem sendo a defesa do ex-mandatário na denúncia sobre a trama golpista que culminou com a barbárie de 8 de janeiro de 2023.

Como eleitor sensato e antenado, tenho consciência de que tanto Lula quanto Bolsonaro já demonstraram insuficiência política, administrativa e de caráter para gerenciar mais uma vez o Brasil. Me perdoem o sincericídio, mas, apesar das preocupações, não tenho dúvida de que Lula está a anos luz de Bolsonaro. Voltando ao banho maria dos institutos e veículos vinculados ao conservadorismo artesanal, medíocre e amador, cabe a pergunta: Se estão realmente fechados com a direita, por que não já expõem as candidaturas dos governadores Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ratinho Junior e Ronaldo Caiado? Eles não têm a resposta.

Para ser candidato a ocupar a cadeira supostamente mais poderosa do país não basta se achar o rei da cocada preta, o dono do pedaço ou um cidadão acima de qualquer suspeita. Além de empatia com o povo, são necessárias ideias, propostas e vontade de trabalhar em benefício da população. Infelizmente, no Brasil de hoje poucos ou nenhum dos postulantes se encaixa no perfil desejado pelo eleitorado nacional. É fundamental que, sejam de direita, esquerda ou de centro, os eleitores brasileiros se desacostumem com a mentira.

Que nunca esqueçamos os ensinamentos de Otto von Bismarck, arquiteto do Império Alemão do século XIX, para quem as pessoas nunca mentem tanto quanto depois de uma caçada, durante uma guerra e antes de uma eleição. Como não há santos na política, a escolha tem sido pelo menos ruim ou por aquele que, durante os debates relacionados ao desenvolvimento da nação, tem o que falar sem agressividade, nocividade e ódio. Considerando o buraco em que enfiaram o Brasil, ideologia é o que menos importa nesse momento. O eleitor está cansado da relativização da política. Todos querem respostas concretas e absolutas para as mazelas econômicas e sociais, com destaque para soluções imediatas para problemas antigos, entre eles o caos na saúde, educação e segurança.

Por isso, independentemente de que Lula esteja ou não na disputa ou que a direita se conscientize de que seu candidato seja menos nocivo à pátria, o cidadão precisa saber que, ao apertar o confirma na urna eletrônica, ele estará escolhendo muito mais do que seu representante. O voto é o que determina o futuro da nação. A meu ver, um candidato a qualquer cargo público deveria atender aos mesmos requisitos cobrados para os que desejam alcançar uma das 11 cadeiras do Supremo Tribunal Federal: notório saber e reputação ilibada. Difícil atingirmos essa perfeição. Aliás, certamente a exigência excluiria da disputa cerca de dois terços dos postulantes à vitaliciedade dos chamados homens públicos. Ainda estamos longe de 2016, mas sei de antemão que se os “patriotas” de hoje são o futuro do Brasil, temo em afirmar que estamos perdidos.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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